Dr. Marcelo Takeshi Ono

O Brasil é o país da cirurgia plástica. Uma cirurgia bem sucedida pode melhorar muito a auto-estima e qualidade de vida dos pacientes. Como tudo na vida, esta benesse deve ser aproveitada com parcimonia, sob risco de sérios efeitos adversos. Sendo assim, obter informação é fundamental.
Saber o que esperar de cada procedimento. Seus benefícios e suas limitações. Somente assim poderá julgar e escolher o procedimento e o profissional mais adequado para ajudá-lo (a).
Nosso objetivo aqui é tentar expor o mundo da cirurgia plástica, sem fantasias e sem milagres.

Dr. Marcelo Takeshi Ono
CRM: 21591 - Paraná
RQE 511
Dr. Marcelo Takeshi Ono
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É uma situação muito freqüente na população esta condição denominada orelha em abano. Estima-se que 5% da população tenha a orelha "mais aberta" do que os parâmetros considerados normais. Sabe-se que em algumas etnias esta condição é mais frequente. É um traço geneticamente herdado, sendo comum a expressão: "Ele tem as orelhas do pai".
Apesar de ser considerada uma deformidade estética leve, pode causar profundos traumas psíquicos a crianças e adultos, com esta condição. Incontáveis apelidos na escola podem limitar a produtividade e interação da criança em uma fase muito delicada da sua vida. O tratamento deste problema esta longe de ser considerado um "mero capricho" ou "excesso de vaidade".

PERGUNTAS MAIS FREQUENTES:

1) A partir de que idade a criança pode ser operada?
Considera-se que aos três anos de idade a criança tenha 85% do desenvolvimento da orelha completo. A partir desta idade já seria possível operar, sem maiores prejuízos ao crescimento da orelha. Estudos recentes sugerem que, até mesmo antes desta idade (um a dois anos), o procedimento pode ser seguro. Entendemos que a melhor idade é a quando a criança inicia o período escolar (hoje cinco a sete anos). Neste período, a criança já entende e, por vezes, já se incomoda com o problema. Ainda não ficou "traumatizada", mas já tem entendimento de que passará por um processo para melhorar aquela aparência. Algumas vezes, pais ansiosos querem corrigir este problema antes desta idade. Antes disso, a criança não entende porque está sendo submetida ao procedimento e encara apenas como agressão. Isto pode dificultar a cooperação após a cirurgia (curativos, limpeza).

2) Qual a alteração existente nas orelhas em abano?
Na figura abaixo listamos as estruturas normais de uma orelha. A alteração mais comum encontrada na orelha em abano é a ausência ou "apagamento" da estrutura chamada "anti-hélice", deixando "lisa" a parte interna da orelha. Outra alteração frequente é a cartilagem da concha muito grande, tornando a orelha mais aberta que os parâmetros normais.

Estruturas normais da orelha: (figura 1):



Tamanho normal da orelha (figura 2):


Abertura normal da orelha (figura 3):


3) Como é feita esta cirurgia?

Fazemos uma incisão na parte de trás das orelhas e tratamos o que o caso necessita. Durante a cirurgia, é confeccionada através de pontos a nova anti-hélice, devolvendo os contornos naturais da orelha. Quando necessário, retiramos o excesso de cartilagem da concha, no intuito de permitir o fechamento da orelha.
Algumas pessoas têm o lóbulo da orelha (parte onde se pendura o brinco) projetado para frente. É possível amenizar este problema com pequenas variações na técnica tradicional.
A figura abaixo exemplifica o que se propõe (figura 4):



4) Qual o tipo de anestesia?
Em crianças acima de 10 anos e adultos geralmente utilizamos a anestesia local associada à sedação leve. Permite uma rápida recuperação e alta hospitalar muito precoce. Crianças menores de 10 anos, usualmente são submetidas à anestesia geral.

5) Quanto tempo dura a cirurgia?
Em média uma hora a uma hora e meia.

6) Quais os cuidados no pós-operatório?
O cuidado com a higiene é essencial. No primeiro dia usamos uma faixa em toda a parte superior da cabeça no intuito de apenas conter o curativo. Entre 24 e 48h retiramos este curativo e usamos apenas uma faixa protegendo as orelhas (faixa similar a do tenista ou bailarina). A faixa tem intuito de proteger a área operada e evitar que a orelha seja manipulada antes do período mínimo para cicatrização. Seu uso é indicado por 30 dias, constantemente. Após 30 dias, utiliza-se apenas para dormir pelo próximo mês. Não é permitido que se durma sobre as orelhas.
Foto abaixo ilustra a faixa de proteção utilizada (Gentilmente cedida pela MACOM – Malhas de Compressão – disponível em outras cores):



7) Quais os riscos desta cirurgia?
É considera cirurgia de baixo risco, mas não é isenta de riscos. A parte de trás das orelhas pode acumular umidade e sujidades, aumentando o risco de infecções cirúrgicas. A cartilagem humana é a estrutura que confere rigidez à orelha. Ela não tem suprimento sanguíneo próprio e utiliza o suprimento da pele para sobreviver. Ou seja, caso a pele seja comprometida, a cartilagem debaixo dela sofrerá bastante. Além da infecção operatória, hematomas e assimetrias podem ocorrer. Aliás, é muito comum as orelhas apresentarem-se assimétricas antes da cirurgia. Estas assimetrias são atenuadas, mas raramente eliminadas.
Outra alteração menos grave, mas frequente, é de sensibilidade. É comum a sensibilidade tátil da orelha diminuir no pós-operatório inicial. Após alguns meses (em geral acima de seis meses), observamos recuperação total da sensibilidade. No entanto, não são incomuns alterações da sensibilidade a longo prazo.

8) É possível que a orelha volte a abrir depois da cirurgia?
Existe uma parcela de pacientes que podem apresentar algum grau de recidiva. Ou seja, as orelhas voltarem a abrir. Geralmente são orelhas "mais duras". Quando isso ocorre, é possível e desejável realizar uma cirurgia complementar após o período de cicatrização (após 90 dias), para atingir o resultado almejado.
Trata-se de situação desagradável para ambos (paciente e médico), mas cuja ocorrência é perfeitamente possível. Estima-se que a taxa de recidiva média seja em torno de 5 a 10% dos casos.
Por fim, trata-se de um procedimento de baixo risco, período de recuperação curto e resultados muito animadores.

Boa cirurgia.
Tem alguma dúvida? Envie-nos um email: contato@drmarceloono.com.br





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