Telas absorvíveis na cirurgia estética das mamas

As telas cirúrgicas já são utilizadas há muitos anos na cirurgia reparadora. Mais recentemente, materiais biossintéticos e absorvíveis começaram a ganhar espaço também na cirurgia estética das mamas, principalmente em situações nas quais os próprios tecidos apresentam pouca capacidade de sustentação.

Uma das aplicações mais interessantes é na mastopexia sem implantes, em mamas pequenas, muito flácidas, com pele fina e pouco tecido glandular, quando a paciente não deseja utilizar próteses.

A tela pode ser utilizada como um reforço estrutural interno, oferecendo sustentação adicional à mama remodelada durante o período de cicatrização.

Ela não substitui uma prótese. O implante adiciona volume, projeção e estrutura à mama. A tela não produz esse efeito. Por isso, o resultado esperado fica entre uma mastopexia convencional sem implante e uma cirurgia com prótese.

A mama continua sendo formada essencialmente pelos tecidos da própria paciente, mas passa a contar com um reforço interno temporário.

 

Como funciona

Existem diferentes tipos de telas absorvíveis.

Após sua colocação, a tela funciona como uma estrutura de suporte enquanto ocorre a cicatrização. Progressivamente, há crescimento de tecido conjuntivo e deposição de colágeno entre suas fibras.

Ao mesmo tempo, o material vai sendo degradado pelo organismo, e a absorção completa é estimada em aproximadamente três anos.

Portanto, a proposta não é deixar uma tela permanente dentro da mama. O material oferece suporte durante um período prolongado de cicatrização e depois é absorvido.

 

Principais indicações

A tela não é necessária em todas as cirurgias sem prótese.

Pacientes com boa qualidade de pele, tecido mamário firme e estrutura suficiente podem apresentar resultados muito bons apenas com a mastopexia convencional. Sua utilização passa a ser mais interessante quando encontramos mamas muito flácidas, pele fina, pouco tecido e baixa capacidade de sustentação, especialmente quando a paciente não deseja utilizar implantes.

Outra indicação possível são as cirurgias mamárias secundárias complexas, nas quais os implantes estão sem sustentação ou sem cobertura.

 

A tela impede que a mama volte a cair?

Ainda não podemos afirmar isso, mas já se percebe uma firmeza inicial muito maior.

As mamas tendem a permanecer mais estáveis e sofrem menos com a ação da gravidade.

Também é importante lembrar que a tela não interrompe o envelhecimento dos tecidos. Gravidade, alterações hormonais, variações de peso e perda progressiva da elasticidade da pele continuam ocorrendo.

Portanto, seu objetivo é aumentar o suporte dos tecidos, e não garantir que a mama permaneça definitivamente na mesma posição.

 

Segurança

Os estudos disponíveis apresentam taxas relativamente baixas de complicações, mas a colocação de uma tela acrescenta um material e uma etapa à cirurgia.

Entre as complicações descritas estão infecção, seroma, exposição do material, alterações de cicatrização e problemas relacionados à integração da tela. Por isso, sua utilização precisa ter uma indicação que justifique esse custo e esse risco adicionais.

Até o momento, não existe evidência de que essas telas absorvíveis possam atrapalhar o rastreamento precoce do câncer de mama. Ou seja, seguem-se os exames regularmente.

 

E o custo, vale a pena?

Hoje, considero a tela absorvível uma ferramenta adicional para casos com muita flacidez, com baixo risco descrito até o momento. Existe um custo adicional do material que, desde que bem indicado, compensa o investimento.